Saia em uma jornada entre florestas, cidades e portos. Sinta saudade de casa mas deixe o vento pairar sobre os fios de seu cabelo em Plume Valley.
Poucos são aqueles que sabem que um dos queridinhos da cena Vaporwave atual é um brasileiro. Gabriel Eduardo, mais conhecido como Windows96, é um dos consolidados neste meio.
“DELTA金TOPCO - History Magic ● Windows彡96 Remix” é o nome do primeiro projeto que podemos encontrar de Windows96 disponível na internet, publicado em seu Soundcloud á 8 anos atrás, esse é o início da jornada musical de Windows96. Seguindo alguns projetos à frente, chegamos em Nematophy, seu primeiro álbum. Publicado nas plataformas de streaming em 16 de dezembro de 2016, Nematophy é um pequeno projeto criado a partir de experimentações com sons de jogos do SNES, uma característica que se mantém presente em projetos sucessores à este.
Particularmente, é meio difícil para mim não abordar tópicos pessoais ao falar do Plume Valley, é um projeto muito nostálgico para mim. Mas, a arte se resume nisso, o valor se cria através das experiências, muitas questões vão além de especificações técnicas, aqui temos sentimentos em jogo! Logo, posso afirmar que as características sentimentais apresentadas aqui podem ser um pouco específicas, mas ainda são fáceis de serem interpretadas.
Em um geral, todas as faixas do Plume Valley seguem pelo mesmo caminho, a trajetória das faixas é realmente a de um álbum; o ponto mais forte de todas é sem dúvidas ter o verdadeiro poder de te transportar para um vale de plumas, a ambiência criada por todas as faixas em conjunto é incrível, das mais básicas até as mais trabalhadas, todas cumprem o seu papel e tem o seu espaço no projeto. "Yujia Forest" abre o álbum de uma ótima forma, é uma faixa super convidativa e introdutória, uma quase experiência completa, seu único detalhe é a pequena frase "I miss you" sendo repetida durante a música, a clara influência do "tradicional" som Vaporwave com aquela voz menos seis decibéis vem imediatamente em minhas lembranças. Não acaba com toda a experiência que "Yujia Forest" fornece como uma boa opening track, mas quebra um pouco a imersão da track em pequenos momentos. “Kylin Forest” marca bem a chegada em um novo ambiente. É literalmente um jornada sonora, caminhamos de “Yujia Forest”, passando pela beira do lago de penas em “Feather Lakefront” e atravessamos a “Kylin Forest” para chegarmos em “Arcadia Town”. Uma jornada muito bem desenhada, com sons que transmitem a exata emoção que deveriam. “Homesick Coast” é a representação de angústia, também vista em “Mirror Lakefront” e “Inaction”, faixas que marcam bem o lado sombrio de uma vivência.
O poder de desenhar toda uma jornada ao decorrer de Plume Valley, é sem dúvidas o seu ponto mais forte. Em “Tranquility Path”, temos a prova disto. “Tranquility Path” soa em meus ouvidos como a caminhada de um jovem viajante que finalmente encontrou a paz e está indo à caminho dela, cada segundo desta track remete exatamente o sentimento que o título dela descreve, é o ápice de Plume Valley.
Uma viagem sem ao menos sair de onde estamos, Plume Valley nos lembra um dos maiores poderes que a música pode nos presentear, a imaginação. Mesmo que algumas vezes Plume Valley seja uma jornada que se perca entre as vastas florestas que dentro de si habitam. Ainda sim, é uma jornada que vale a pena ser percorrida.



